O encontro entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acabou gerando mais constrangimento político do que demonstração de força internacional para o grupo bolsonarista.
Apesar da expectativa criada por aliados do senador, a reunião ocorreu de forma discreta, sem qualquer divulgação oficial da Casa Branca ou das redes sociais de Trump. Até a manhã desta quarta-feira (27), nenhuma foto havia sido publicada pelo governo americano sobre o encontro.
O contraste chamou atenção porque, em reuniões anteriores com líderes e candidatos alinhados politicamente, Trump costumou publicar imagens, declarações e mensagens explícitas de apoio. Desta vez, o silêncio predominou.
Segundo relato do empresário bolsonarista Paulo Figueiredo à Folha de S.Paulo, Trump chegou a elogiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a conversa com Flávio.
“O presidente Trump comentou, sim, sobre o encontro com o presidente Lula. Elogiou o seu dinamismo”, afirmou.
O elogio repete exatamente o tom usado por Trump semanas antes, após reunião oficial com Lula na Casa Branca. Na ocasião, o republicano chamou o presidente brasileiro de “muito dinâmico” e classificou o encontro bilateral como “muito produtivo”.
Já a passagem de Flávio por Washington teve características bem mais modestas. A reunião não apareceu na agenda oficial da Casa Branca e sequer teve confirmação pública prévia do governo americano.
Embora aliados tenham tentado transmitir a imagem de um encontro histórico, nem mesmo o tempo efetivo da conversa foi esclarecido. O grupo brasileiro permaneceu cerca de uma hora e quarenta minutos na Casa Branca, mas interlocutores admitem que o contato direto entre Trump e Flávio pode ter durado apenas alguns minutos.
Outro detalhe que gerou comentários nas redes sociais foi o presente recebido por Flávio: uma “challenge coin”, moeda simbólica bastante comum no meio político e militar dos EUA e facilmente encontrada em lojas próximas aos centros turísticos de Washington.
Enquanto isso, camisas personalizadas preparadas para Trump e familiares sequer chegaram a tempo do encontro por questões de protocolo e inspeção de segurança.
Após a reunião, parlamentares bolsonaristas divulgaram vídeos celebrando o encontro em uma residência na capital americana. Em outro momento, Flávio, Eduardo Bolsonaro e aliados apareceram rezando em círculo ao lado de Paulo Figueiredo.
Nos bastidores do governo brasileiro, a avaliação é que Trump evitou transformar o encontro em um gesto político público para não criar desgaste diplomático com Lula, com quem se reuniu recentemente para discutir comércio e tarifas.
No dia seguinte, Flávio participou de reuniões no Departamento de Estado americano ao lado de Eduardo Bolsonaro e aliados ligados à pauta da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.
Mesmo assim, o episódio acabou marcado mais pelo silêncio da Casa Branca do que por qualquer demonstração explícita de prestígio internacional ao senador brasileiro.
Inscreva-se na nossa Newsletter. É GRÁTIS!
