Segundo o jornal Folha de São Paulo, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), tem adotado uma estratégia de defesa semelhante à utilizada após os ataques golpistas de 8 de janeiro: atribuir a responsabilidade direta a subordinados e afirmar que apenas confiou nas informações técnicas que lhe foram repassadas.
No caso mais recente, envolvendo operações do BRB com o Banco Master, Ibaneis tem dito a aliados que confiou integralmente no então presidente do banco estatal, Paulo Henrique Costa, hoje investigado pela Polícia Federal.
Investigação do BRB e o elo com o Banco Master
Paulo Henrique Costa é alvo formal de investigação por operações realizadas entre o BRB e o Banco Master, instituição ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso em novembro do ano passado. Nos bastidores do governo do DF, Ibaneis afirma estar tranquilo diante do avanço das apurações, sustentando que se baseou em avaliações técnicas apresentadas pelo ex-presidente do BRB.
Interlocutores relatam que o governador considera que Paulo Henrique foi responsável por elevar o BRB a um novo patamar, ampliando sua projeção nacional. Diante desse histórico, Ibaneis avalia que não havia motivos, à época, para questionar a decisão de avançar na compra do Master.
Paralelo com o 8 de janeiro e a narrativa da “confiança excessiva”
A linha de defesa do governador guarda semelhanças com o discurso adotado após os ataques de 8 de janeiro de 2023. Na ocasião, Ibaneis afirmou ter confiado nas informações do então secretário interino de Segurança Pública, Fernando Oliveira, atribuindo a falha ao ex-secretário Anderson Torres, hoje preso.
No episódio envolvendo o BRB e o Master, Ibaneis reforça o argumento de que costuma delegar atribuições aos auxiliares e confiar nas decisões tomadas dentro da estrutura administrativa. “O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique”, disse o governador à TV Globo ao comentar encontros com Daniel Vorcaro.
Prejuízo bilionário e surpresa com os desdobramentos
Com o aprofundamento das investigações, o governo do DF passou a lidar com a necessidade de injetar recursos no BRB para cobrir prejuízos associados às operações com o Master. Segundo depoimento à Polícia Federal do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, o rombo estimado chega a R$ 5 bilhões.
Ibaneis tem afirmado ter sido surpreendido tanto pela crise do Banco Master quanto pela dimensão dos prejuízos causados ao BRB, alegando desconhecer irregularidades até a deflagração das investigações.
Defesa de Paulo Henrique e reação do BRB
Procurado pela Folha, Paulo Henrique Costa afirmou que não comentaria declarações de terceiros e que todos os esclarecimentos foram prestados em depoimento à Polícia Federal e ao STF. A interlocutores, ele tem demonstrado incômodo com tentativas de associar o BRB como cúmplice das irregularidades do Master.
Em nota, sua defesa sustenta que as aquisições de carteiras de crédito do Banco Master começaram em julho de 2024 e ocorreram dentro das atividades regulares do sistema bancário, respeitando instâncias de governança e decisões colegiadas.
Sob nova gestão, o BRB contratou auditoria independente para apurar as operações realizadas com o Master, incluindo a compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consideradas fraudulentas, sua posterior devolução e a transferência de ativos.
Crise política e impacto no projeto eleitoral de Ibaneis
Mesmo tendo retornado ao cargo após o afastamento decorrente do 8 de janeiro, aliados e parlamentares avaliam que esta é a maior crise política enfrentada por Ibaneis desde o início de seu mandato, em 2019.
Pré-candidato ao Senado, o governador também tenta viabilizar a candidatura da vice-governadora Celina Leão (PP) como sua sucessora no Palácio do Buriti. Apesar do desgaste, Ibaneis reafirmou recentemente que pretende disputar uma das vagas e afirmou acreditar na vitória de seu grupo político.
Expansão do BRB e relação direta com o governo do DF
Durante a gestão de Paulo Henrique Costa, o BRB ampliou significativamente sua presença em políticas públicas do Distrito Federal, assumindo desde a gestão da Torre de TV até a operação do sistema de bilhetagem do transporte público.
No cenário nacional, o banco ganhou visibilidade com a criação de um banco digital em parceria com o Flamengo e com a aquisição dos naming rights do Estádio Nacional Mané Garrincha. Agora, sob nova direção, o BRB tenta conter os danos institucionais e financeiros deixados pela frustrada operação com o Banco Master.
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