A esquerda colombiana vive um momento de forte tensão política e pode chegar fragmentada nas eleições presidenciais. Decisões recentes do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) reconfiguraram o tabuleiro interno do progressismo e abriram espaço para uma disputa de lideranças que pode custar caro ao campo alinhado ao presidente Gustavo Petro.
Na quarta-feira, o CNE excluiu o senador Iván Cepeda da consulta interpartidária do bloco progressista. No dia seguinte, autorizou a participação do ex-prefeito de Medellín Daniel Quintero no mesmo processo. As decisões acirraram disputas internas e colocaram em xeque a unidade do Pacto Histórico, principal força da esquerda no país.
Cepeda reagiu anunciando que disputará diretamente a primeira volta, acusando o CNE de arbitrariedade e apontando possíveis conflitos de interesse na decisão que o excluiu da consulta. O Pacto Histórico declarou apoio ao senador e orientou seus militantes a não participarem da consulta do chamado Frente pela Vida, agora esvaziada de sua principal figura.
Apesar disso, o ex-embaixador Roy Barreras insiste em manter sua candidatura dentro da consulta. Ele defende que o processo é necessário para ampliar o eleitorado além da esquerda tradicional e atrair votos do centro e do liberalismo. A posição, no entanto, é duramente criticada por lideranças progressistas, que veem no movimento um risco real de divisão do eleitorado petrista.
Figuras como Susana Muhamad, Gustavo Bolívar e María José Pizarro afirmam que a prioridade deveria ser a unidade em torno de Cepeda. Para esses dirigentes, insistir em uma consulta sem apoio amplo pode resultar em dois candidatos da esquerda na primeira volta — cenário que diluiria votos e poderia impedir a chegada do progressismo ao segundo turno.
O quadro ficou ainda mais complexo com a confirmação de Daniel Quintero na consulta, o que garante a continuidade do processo mesmo se outros nomes desistirem. Próximo a Petro e ao ministro do Interior Armando Benedetti, Quintero pode mobilizar apoios regionais e estruturas partidárias tradicionais, aumentando o peso da disputa interna.
Com a direita e o centro organizando suas próprias consultas, a fragmentação da esquerda colombiana surge como um risco estratégico. Em vez de consolidar o legado de Petro, o progressismo pode entrar na eleição presidencial dividido — e pagar o preço nas urnas.
