A Stellantis surpreendeu o mercado ao anunciar encargos de 22,2 bilhões de euros relacionados à revisão de sua estratégia de carros elétricos. O movimento reflete uma desaceleração nos investimentos em eletrificação diante de uma demanda abaixo do esperado e de mudanças no ambiente regulatório, especialmente nos Estados Unidos.
As ações da Stellantis negociadas em Milão chegaram a despencar 25%, atingindo o menor nível desde a criação do grupo, em 2021, após a fusão entre a Fiat Chrysler e a PSA. Com a queda, o valor das baixas anunciadas passou a superar a própria capitalização de mercado da companhia.
Em comunicado, o CEO Antonio Filosa afirmou que os encargos refletem uma superestimação da velocidade da transição energética. Segundo ele, a estratégia anterior afastou a empresa das “necessidades, possibilidades e desejos reais” dos consumidores. O executivo destacou que o reposicionamento iniciado em 2025 busca recolocar o cliente no centro das decisões.
A decisão da Stellantis se soma a uma série de revisões semelhantes feitas por montadoras tradicionais como Ford e General Motors, que também reduziram apostas em modelos totalmente elétricos. O setor enfrenta tarifas, concorrência agressiva de fabricantes chineses, desaceleração na China e menor adesão aos elétricos nos EUA, onde o presidente Donald Trump reverteu subsídios e minimizou políticas verdes.
Os encargos da Stellantis, registrados no segundo semestre de 2025, incluem ajustes no portfólio de modelos, redução da cadeia de suprimentos de carros elétricos, provisões ligadas à qualidade dos produtos e cortes de empregos na Europa. Aproximadamente 6,5 bilhões de euros correspondem a desembolsos em caixa, que devem ser pagos ao longo de quatro anos a partir de 2026.
Como parte da reestruturação, o grupo também vendeu sua participação de 49% em uma joint venture de baterias no Canadá e projeta um prejuízo líquido entre 19 bilhões e 21 bilhões de euros no segundo semestre de 2025, além da suspensão do pagamento de dividendos neste ano.
Apesar do recuo nos carros elétricos, analistas alertam para o risco de um movimento excessivo. Para especialistas, a sobrevivência de longo prazo das montadoras ainda dependerá de uma transição bem executada — mesmo que em um ritmo mais cauteloso.
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