Diretor de inteligência russa é baleado em Moscou e levado em estado grave ao hospital

Um alto oficial da inteligência militar da Rússia foi alvo de um atentado a tiros em Moscou. O tenente-general Vladimir Alexeyev, vice-chefe da GRU — o serviço de inteligência militar russo —, foi baleado dentro do edifício residencial onde vive e encaminhado às pressas a um hospital da capital.

Segundo investigadores, um atirador ainda não identificado disparou várias vezes contra Alexeyev e fugiu do local. O general, de 64 anos, teria sido atingido no braço, na perna e no tórax durante uma luta corporal. Seu estado de saúde foi descrito como grave.

A posição de Alexeyev o colocava diretamente envolvido na condução da guerra da Rússia contra a Ucrânia. Ele já havia recebido a condecoração de “Herói da Rússia” do presidente Vladimir Putin e estava sob sanções dos Estados Unidos e da União Europeia por acusações ligadas a interferência cibernética e ao caso do envenenamento do ex-agente Sergei Skripal, no Reino Unido.

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, acusou a Ucrânia de estar por trás da tentativa de assassinato, alegando que o ataque teria como objetivo sabotar negociações de paz — afirmação feita sem apresentação de provas. Kiev não comentou o caso até o momento.

Desde o início do conflito, em 2022, a inteligência ucraniana já reivindicou a autoria de assassinatos de outros oficiais russos de alto escalão. Apenas desde dezembro de 2024, ao menos três autoridades do mesmo nível hierárquico de Alexeyev foram mortas em ou perto de Moscou.

O Kremlin informou que Putin foi notificado sobre o ataque e que os serviços de segurança investigam o caso. O porta-voz Dmitry Peskov afirmou que, em tempos de guerra, comandantes militares e especialistas de alto nível se tornam alvos naturais, mas evitou comentar falhas específicas de segurança.

O episódio também gerou questionamentos públicos sobre a proteção de autoridades estratégicas. Em redes e fóruns ligados à mídia estatal, cidadãos e analistas próximos ao governo cobraram explicações sobre como um ataque desse tipo pôde ocorrer em um prédio residencial comum.

Alexeyev era responsável, entre outras funções, pela articulação entre o Ministério da Defesa russo e o grupo mercenário Wagner, liderado por Yevgeny Prigozhin, morto em um acidente aéreo em 2023 após liderar uma breve rebelião contra o comando militar russo.

O atentado amplia o clima de tensão interna na Rússia e levanta novas dúvidas sobre a estabilidade e a segurança do alto comando militar em pleno conflito internacional.

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